“INVENTAR O SOM: Outras Histórias da Música Preta Brasileira”, é o novo projeto do DJ Tranzimbah, também conhecido como William de Abreu: cria de Japeri, na Baixada Fluminense, morador de Vila Isabel e pesquisador musical independente. Será no SÁBADO, 7 de novembro, a partir das 17h, no SEBO BARATOS:
Um encontro de escuta comentada de discos, 100% em vinil, com uma fina seleção do acervo do Tranzimbah, quase todas as prensagens originais. A sessão é dividida em blocos de três a quatro faixas com comentário entre eles e termina numa conversa aberta ao público. E a depender do entusiasmo e da hora: com um bailezinho no final. 😉
Uma exploração, através de discos já consagrados, do conceito de GAMBIARRA SONORA: o jeito improvisado de produzir, mudar ou amplificar um som com o que se tem à mão. O ponto de partida é o Fundo de Quintal.
Nos anos 1970, nas rodas do Cacique de Ramos, os músicos que formariam o grupo refazem o instrumental para tocar sentados, sem palco e sem microfone. Sereno troca o surdo pelo tantã e Ubirany tira a baqueta do repique para tocar com as duas mãos. Almir Guineto põe o braço do cavaquinho no corpo do banjo, que amplia o som do cavaco e faz o instrumento sobressair à percussão da roda. Esses instrumentos viraram a assinatura do pagode e continuam em qualquer roda de hoje. O movimento revelou nomes como Jorge Aragão, Sombrinha, Arlindo Cruz e o próprio Almir, que raramente aparecem nas listas de referência da música brasileira.
A gambiarra aparece também antes e depois do Fundo de Quintal. No Estácio, na virada dos anos 1920 para os 1930, Bide criou o surdo de marcação para que o samba pudesse ser tocado andando, em desfile, e hoje o instrumento sustenta toda bateria de escola. Nos anos 1990, Marcelo D2, vindo do Planet Hemp, junta hip-hop e samba em “Eu Tiro É Onda”, com faixas montadas em sampler a partir de gravações de samba. Em 2021, Juçara Marçal lança “Delta Estácio Blues”, que leva no título o bairro de Bide e recompõe o samba com eletrônica e ruído.
E aí vem a provocação da noite, a sigla MPrB: MÚSICA PRETA BRASILEIRA. A MPB ganhou esse nome em meados dos anos 1960, embalada pelos festivais de televisão, para dar conta de uma música ligada sobretudo ao público universitário, e juntou no mesmo balaio Chico Buarque, Maria Bethânia, Elis Regina e Milton Nascimento. E os bambas do Estácio e a turma do Fundo de Quintal, onde entram nessa conta? A MPrB propõe contar a história da música brasileira a partir da contribuição negra.
RECAPITULANDO: sábado 7 de novembro, a partir das 17h, no Sebo Baratos (Rua 19 de Fevereiro 90, esquina com a Voluntários da Pátria). ENTRADA FRANCA.

