15
set
Tags: chatos, Daniel Russell Ribas, microcontos, telefone
27
ago

terça-feira, 09/08/2011 21:13 Muita pobreza dispara a violência
Irmãos, #obagulhoestáardendo. Sequestraram um ônibus na hora do rush em plena Pça XV. A PM interveio, o Bope e o caralho. Passaram o rodo. Tiroteio geral, o povo trabalhador sempre no meio, passageiros feridos. A inépcia de sempre. Os bandidos se entregaram. Tá este caô de q a situação tá dominada, q tá todo mundo feliz, q as UPPs trouxeram a paz pra cidade e olhaí a M. A necessidade cantando alto. Os velhos espectros rondando a alienação coletiva. #ônibus174 de volta. #lutadeclassesridesagain. O retorno do reprimido. Agora, vamos rezar pros trabalhadores feridos, e q tavam só batalhando sua grana, poderem se recuperar rapidamente. O país tá precisando de mais trabalho…
quarta-feira, 10/08/2011 10:33 Não me diga q está tudo bem
Irmãos, tá dando em todas as mídias, twitter e o caralho. A perícia mostrou q os tiros no buzum vieram de fora pra dentro. Foi a polícia q alvejou o ônibus e acertou os passageiros. Agora vem o secretário do governo dizer q os polícia foram precipitados. Os PMs são trabalhadores mal pagos e mal treinados, só isso seu ilustríssimo governador. #caradepau. Olha, isso vai dar M. O vacilo não vai ficar pequeno.
quinta-feira,11/08/2011 09:37 Periferia é periferia em qq lugar
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Tags: ônibus 174, guerrilha urbana, lei e ordem, povo, Racionais MC, trabalhador, violência
3
jul

Seu pai estava morto, o que começara como uma simples disputa entre sete sapatarias rivais entre as ruas do Ouvidor, da Quitanda e do Mercado, acabara em seu assassinato. E agora, ele Cândido deveria tomar os negócios da família. Mas o que fazer quando agora para manter sua honra e a honra de sua família, deveria matar os dois filhos homens da família Almeida, aqueles que juraram trazer a ruína para sua família. Os dois miseráveis irmãos da bela Gabriela. Como mataria seus irmãos, sem ferir aquela que amava, e que também o amava? Deveria mentir. Candido tomou a única saída possível, já que não podia a seu próprio punho confrontar os dois na rua e quebrar seus pescoços, recorreu a magia negra, a magia da velha turca Oja. Antes de conhecer sua amada Gabriela, a sobrinha da velha tinha sido sua amante, e desde que um dia, Oja pegou-o saindo do quarto de Maria, ela profetizou que conhecia sua alma de muitas andanças passadas e que não importe o que acontecesse, ele sempre poderia recorrer a ela.
Oja era turca, de nascida no Império Otomano, ou no que aos poucos se desvanecia dele com as invasões francesas, inglesas e russas. Porém, considerava um insulto ser chamada dessa forma, sempre dizia que sua família sobrevivia naquelas terras muito antes da sujeira muçulmana chegar, mesmo antes da cristã, e que sua cultura muito superior a ambas ainda existiria ali naquela terra muito depois de sua morte. Qual sua origem? Nisso não se aprofundava, só nos poderes que lhe foram passados de geração em geração pelo conhecimento de seu povo. Poderes que Cândido não poderia compreender, nem sequer cogitar as capacidades quando foi pedir sua ajuda. Pediu para Oja matar os dois Almeidas, e matá-los de forma que ninguém pudesse ligar a morte a ele. Ela lhe disse que seu pedido iria lhe custar, não dinheiro, mas algo mais precioso, que nem ela em si poderia determinar, só o destino diria. Ele não levou a sério e aceitou. Cândido fora criado por uma escrava que lhe endocrinara no mundo da magia, que o abriu as portas para suas possibilidades apesar de ele não ter necessariamente prestado atenção em todos os seus ensinamentos. E agora através de Oja, ele atravessava realmente essa porta. Claudio, o irmão mais velho, morreu dormindo. Pelo menos isso foi o dado oficial, enquanto seus escravos diriam que fora na verdade um demônio ao notar as marcas de duas pequenas mãos de três dedos em seu pescoço. Julio, o mais novo, simplesmente desapareceu. Estava feito, sua honra estava mantida, mesmo que ninguém soubesse, e as lágrimas da bela Gabriela não o culpariam.
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Tags: demônios, família, lavar a honra, magia, pizzas, profecias, realidade paralela, turca
24
jun

Essa mania de citar Jean-Paul Sartre me irrita, até mesmo por que, quase sem exceção, a maior parte das pessoas só conhece mesmo uma de suas frases, a célebre ‘o inferno são os outros’. Tá bem, camarada Sartre, tudo certo, eu te entendo, você disse isso num contexto difícil e não serei eu, mera cronista metida a poeta nas horas vagas, a te julgar. Ainda mais se tomarmos ‘os outros’ como todos e quaisquer seres que nos aporrinham, seja a sogra que não corta o cordão umbilical, a caixa da padaria que pergunta se você não tem nota menor mesmo quando você deu a ela os últimos dez reais que tinha na carteira ou o professor de inglês, a bradar que ‘the book is on the table’. Aliás, sinceramente, onde mais estaria o livro se não em cima da mesa? Em cima do fogão? Do tábua de passar? Da pia? Mas isso não vem ao caso e mais uma vez estou eu a digredir como uma baiana de férias em Amsterdã, esquecida de que o foco deve permanecer nessa coisa do inferno serem os outros. Assumindo que isso seja verdade, por que motivo a gente buscaria a cura dentro da própria alma? Pra quê tanta terapia, mapa astral, floral, meditação, tarja preta e ioga? Se levássemos a máxima de Jean-Paul ao pé da letra, seríamos pacatos ermitões das colinas, felizes em nossa própria companhia, munidos, naturalmente, de micro-ondas, internet, celular, vibrador e sopas congeladas. Mas que nada, gente que é gente gosta de fluidos, sejam eles verbais, espirituais ou saídos de nossas benditas glândulas. Gente mesmo, como disse Caetano, é outra alegria. E alegria está também na divergência, em olhar pro colega do lado e poder dizer a ele que não concorda com nada do que ele diz, que não gosta das roupas que ele veste – muito menos do jeito que ele olha pro sol, mas que, ainda assim, o observa. Que, ainda assim, quer ouvir seus devaneios e ficar na torcida pra que, na sua diferença, ele seja feliz também. Porque a felicidade, quando democrática, vira prima-irmã da esperança e se torna capaz de mandar tudo pro inferno.
A verdade é que esse é um assunto tão interessante, mas tão interessante, que eu poderia ficar dias discorrendo sobre ele, mas no momento o feijão está no fogo precisando de minha atenção. Antes de voltar pra cozinha, queria pedir encarecidamente uma coisa pra vocês aí do outro lado do monitor: aconteça o que acontecer, eu não quero ser citada, que não sou filósofa, nem cientista, nem membro de nenhuma academia. Além do mais, sem querer baixar o nível, que isso aqui é um site de categoria, poeta que é poeta gosta mesmo é de ser ex-citada.
Tags: inferno, Jean Paul Sartre, obviedade, outros, poeta
9
mai

Se era para ser chato, então eu seria mesmo. Resolvi contar, registrar, tirar média, moda e mediana, tudo que fosse possível. Só quantificando pode-se convencer o adversário. Então, a partir de agora, eu ia contar. Contabilizar. E, se preciso fosse, sistematizar. Aquela mania de carioca de nunca chegar na hora marcada, eu ia provar, por a + b, e talvez adicionando c, d, e, que não só não fazia sentido como trazia perdas irreparáveis à espécie humana. Bem, esse havia sido meu intuito inicial.
Sexta-feira a Cássia marcou comigo às 19h30 no Amarelinho da Cinelândia e chegou às 19h56. Anotei, discretamente, enquanto ela ia ao toillete, os 26 minutos de atraso. No sábado seguinte, marquei a praia com o Augusto, que chegou quinze minutos depois do combinado. Tomei nota no meu caderninho, sem comentar nada. No mesmo dia, à noite, o pessoal do clube marcou o clássico cineminha em Botafogo. O primeiro a chegar, depois de mim, apareceu no cinema dezenove minutos depois da hora estipulada. Os outros demoraram ainda mais e tudo foi devidamente registrado, com discrição. No dia seguinte, passaria para o Excel a tabela da primeira semana já contabilizando o tempo de atraso de todas aquelas pessoas e o que aquilo significaria em se tratando de perdas. Aquela mania de atraso me irritava profundamente, uma vez que sempre fui pontual. Meus atrasos eram de, no máximo, 5 minutos, quando não chegava antes. No entanto, a massa humana com a qual eu convivia achava cafona ser pontual. Tudo bem, mas quantas coisas eu deixava de fazer em todo aquele tempo em que esperava alguém?
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27
abr

Guardião da Cripta: Olá, crianças? Aqui é seu amigo, o Guardião da Cripta e eu tenho uma receita de matar, hi hi hi hi hi. É sobre um homem que descobriu uma das maiores delícias que existe: A Morte! Então, preparem seus sacos de vômito para este conto que eu chamo:
Mais olho que barriga
Brown Glass odiava cheesecake. Como importante crítico culinário, achava que deveria ser o mais isento possível. Acreditava que qualquer falha em um experimento gastronômico deveria ser culpado de seu perpetuador, não do material. O material não tinha emoção ou racionalidade, somente existia para ser manipulado por mãos hábeis e se transformar ou em um espetáculo digno de êxtases proustianos em sua boca ou uma manifestação da morte ceifada por uma criatura sem alma; uma merda preparada por um ignóbil. Claro que não escreveria “merda” em seus textos. Era um cosmopolita. Mais do que um intelectual brasileiro, era um novaiorquino do Upper West Side. Escreveria “merde”, se arrastando na primeira sílaba tônica.
No entanto, havia alguma coisa em seu ser mais íntimo que nutria seu desprezo, nojo por cheesecake. O que era aquela coisa? Era um salgado, mas parecia um pudim de tofu com mais consistência. Era enjoativo, nem doce, sequer o contrário. Só o contato com o interior de sua boca bastava para uma agressão, uma blitzkrieg contra seus sentidos, fosse iniciada. Pedia desculpas para ir ao banheiro e vomitava além do que consumira durante o dia, como uma garota bulímica de 14 anos. Ele arrancaria sua língua se tivesse coragem ou outra maneira de sustento. Afinal, era um cosmopolita e, como tal, só sabia praticar uma única atividade. Ele era um crítico culinário, “mééééérd”!
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Tags: cheesecake, crimes passionais, culinária, morte, serial killer
16
abr

Oi, boa noite, meu nome é Helena, sou personagem de telenovelas e gostaria de passar minhas impressões sobre como é viver do lado de cá da folha de papel, posto que hoje em dia o povo só quer saber quem foi o autor dessa ou daquela ideia e esquece completamente que o pilar de uma boa dramaturgia está nos personagens que lhe dão vida. Outro dia, inclusive, entre uma gravação e outra, conheci um personagem de comédias românticas, dessas onde o casal protagonista acaba sempre feliz no final, dizendo ‘eu te amo’ e ‘você é a luz da minha vida’. Pois bem, esse personagem me contou que, depois que começou a fazer esse tipo de trabalho, ficou tão esperto, mas tão esperto, que, volta e meia, sem perceber, se pegava citando Leminski, Dante e Lope de Vega e que isso, por mais que aumentasse sua credibilidade, em nada colaborava pra construção de relações saudáveis, fossem de amizade, sexo casual ou monogamia. A propósito, alguém sabe me dizer se a monogamia caiu com a reforma ortográfica? E os pingos nos ‘is’, também caíram? Estou tão confusa hoje que seria capaz de andar da minha casa até Salvador levando comigo só água e sonhos. Não os de padaria, mas aqueles dos quais a gente nunca desiste, independente do passar do tempo, da perda de colágeno e da incapacidade de rir de nossa própria ignorância. Mas, voltando, esse personagem, um tipão, diga-se de passagem, me pediu pra ajudá-lo na pesquisa de campo pro papel que ele havia sido escalado, de um jovem bem-nascido que gostava de se passar por pobre pra ganhar popularidade entre as dançarinas de maracatu. Na hora sugeri que fôssemos à Lapa, berço da burguesia folclórica, da cerveja barata e do alpinismo social. Depois de sermos abordados por uns quinze vendedores de bijuterias que prometiam dar um brinco de amostra grátis em troca de um minuto de atenção, começamos a conversar sobre como a mania de magreza já não era mais privilégio do pessoal da vida real e que os primeiros casos de anorexia nervosa em personagens vinham sendo abafados pela grande imprensa. Papo vai, papo vem, me senti à vontade de dizer que me achava gorda, ao que ele respondeu que não, que mulheres como eu, peitudas e graúdas, davam às vezes a impressão de serem gordas, mas que, sem roupa, mostravam ao que vinham e faziam um serviço infinitamente melhor do que as magrelas que tinha de traçar em nome da dramaturgia. Na hora fiquei sem ter o que dizer, pois, apesar de considerar a sinceridade uma coisa positiva, aprecio a sutileza, nem que seja em gotas. Mas, como sei que tudo acaba se resolvendo nos capítulos finais, achei por bem aceitar o elogio chucro como se poema lírico ele fosse, senão corria o risco de acabar sozinha que nem aquele pessoal das tragédias gregas. Deus me livre, faço qualquer coisa pra não descer ao inferno da solidão, primeiro que não tenho mais idade de fazer a egípcia e, segundo, porque já vivi o suficiente pra saber que, quando se olha em volta e só o que se avista são variáveis sem constantes, qualquer número primo tá valendo. Assim, fui lá somar com o personagem pra ver onde ia dar a equação. No final, depois de tanta matemática, entendi que de quatro ninguém é normal e isso já foi um aprendizado e tanto. Se duvidar, uso essa nova sacada pra passar pruma novela das oito. Potencial é que não me falta. Gilberto Braga que me aguarde.
Tags: companhia, Gilberto Braga, Helena, novelas, personagens, solidão
23
fev

Sonhos
Dois acontecimentos aparentemente sem relação alguma de causa e efeito se sucedem.
Numa residência de classe média brasileira, uma mãe percebe que o filho adolescente, recém assumido homossexual, nunca vai realizar seu sonho de vê-lo se casar na igreja com uma moça mais jovem, branca e casta.
No interior da Dinamarca, um exaustor eólico responsável por resfriar os calores extremos gerados pelo processamento da cevada, na produção da cerveja local, deixa de funcionar.
Se do ponto de vista causal os acontecimentos parecem independentes, cronologicamente é como se pudessem estar interligados. E estão: cada plano que se frustra é uma máquina que deixa de funcionar.
O Deus Ex Machina
Num tempo fora do tempo, em que todos os tempos poderiam ser apreciados e manipulados, os Deuses de Todas as Coisas se reuniram para observar e discutir as ações humanas.
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Tags: Deuses de Todas as Coisas, máquinas, objetos, sonhos
26
ago


Tags: Ambrosia, antologia, Barba Negra, contos, Eduardo Filipe, Fábio Lyera, Fábio Lyra, FLIP 2009, Johandson Rezende, Maíra Fernandes de Mello, Márcia Vitari, Nova Literatura, quadrinhos, Renato Amado, S. Lobo, Salvador Camino, Sama