
A bicicleta cruzou a última porteira e percorreu com lentidão uma trilha que atravessava um pequeno pântano. Logo se descortinaram o vale e as árvores… e rumo a elas o garoto pedalou.
Resolveu explorar um novo caminho, pois havia tédio nas estradas e aleias que percorria quase todos os dias à tarde, depois da escola. Mas hoje houve uma prova difícil e precisava de uma dose extra de compensação.
A trilha mergulhou entre os bambuzais e o vale desapareceu. Não tinha medo. Seus pais sim, se soubessem o que fazia. Uma casa velha jazia abandonada à beira do caminho. Empurrou a porta meio aberta e entrou com o prazer de quem espera um susto de um filme terror, mas nenhuma surpresa desagradável aconteceu. Retornou para a trilha satisfeito (?).
A sede era grande, pois pedalava há quase 2h, e estava se tornando mais desconfortável (ele a julgou insuportável – um exagero de menino). Mas um pequeno córrego com uma bica, que surgiram mais adiante, foram um presente para seu corpo.
Após os bambus, o vale surgiu novamente e, descendo em velocidade, chegou à sua base, lugar que chamou de: “planície para onde todas as linhas convergem”. Ali, entre copas de árvores, insetos e paisagens deixou-se embalar, como se fossem os pedais que lhe movessem os pés. Havia um riacho pacífico mais adiante. Um homem à cavalo surgiu de repente, mas não lhe fez mal. Cumprimentou-o e sumiu por uma outra trilha desconhecida, que se tornaria conhecida algum dia.
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