
Envolvido pela leitura deste surpreendente conto, o editor ficou louco para correr até a Casa da Tata (na Gávea), onde são feitos os melhores bolos da cidade. Não conhece? Saca só:
http://www.dacasadatata.com.br/home.html
Mas impedido de sair de casa naquele momento, chegou a pesquiar no google por uma receita. E apesar de não ter encarado o fogão, recomenda o blog gastronômico que o socorreu na ocasião, chamado “Sabor Saudade”:
http://saborsaudade.blogspot.com/2009/01/penso-e-cozinho-ou-cozinho-e-penso.html
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Gertrude estava apaixonada. Há quatro meses que toda manhã às 9 horas em ponto entrava na loja de bolinhos aquele homem alto e robusto que fazia suas pernas estremecerem e o sangue subir ao seu rosto. Usava um terno e um chapéu cinza, com um lenço vermelho no bolso do sobretudo. Abria sempre a porta da loja com delicadeza, fazendo o sino bater suavemente sobre a sua cabeça como se fosse uma música a anunciar sua chegada, dava exatos 3 passos como um rei até a caixa, a olhava com um olhar fixo, magnético, que a desequilibrava, em seguida dava-lhe com aquela sua voz forte um bom dia e produzia através daqueles seus lábios firmes o nome dela – o que a fazia estremecer ainda mais -, por fim, fazia o seu pedido. Inicialmente pedia um bolinho de nozes, mas com o tempo ela começou a sugerir-lhe outros gostos, até chegar ao que o encantou por completo: um bolinho de avelã com mousse de chocolate e baunilha. Depois de comprar, ele lhe dava um sorriso e partia de volta a sua vida encantada, a deixando ali a esperar a sua volta no dia seguinte.
Gertrude era uma mulher sozinha com uns 35 anos de vida. Vivera com a mãe até a morte desta, há apenas 4 anos.
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