
(Fragmentos selecionados do primeiro ensaio do livro “Sex, Drugs and Cocoa Puffs”, Scribner Publishing House, 2004. Esta tradução foi feita amadoristicamente por Maurício Gouveia, com muuuuita liberdade, mas na melhor das intenções. Para saber com detalhes quais liberdades foram estas que ele tomou, leia as explicações no láááá embaixo do post.)
Nenhuma mulher jamais me safisfará. Eu sei disso agora, e nem tentaria negar. Mas na verdade estou bem com isso, porque nenhuma mulher jamais ficará satisfeita comigo.
Deveria estar escrevendo estes pensamentos? Talvez não. Talvez seja uma má idéia. Posso definitivamente antever um cenário em que este parágrafo me persegue, especialmente se eu me tornar marginalmente famoso. Se eu me tornar marginalmente famoso, serei sem dúvida entrevistado em um talk show, e o apresentador inevitavelmente perguntará: “Quinze anos atrás, você escreveu que nenhuma mulher conseguira lhe satisfazer. Agora que está casado já faz quase 5 anos, essas palavras ainda são verdadeiras?” E terei de dizer: “Ah, Jesus, não”. Aquelas foram palavras de uma pessoa completamente diferente ” alguém com quem nem me identifico mais. Honestamente, não posso imaginar minha existência sem fulana de tal. Ela me satisfaz de maneiras que nem imaginei possíveis. Na verdade, ela salvou minha vida”.
Pois é, eu mentirei. Não estarei sentido tudo aquilo. Mas certamente direi essas palavras, e as inventarei com a melhor das intenções, até mesmo com sinceridade, apesar dos sentimentos não estarem lá. Então o entrevistador citará frases deste outro parágrafo, me lembrando de que jurei que negaria publicamente os meus verdadeiros sentimentos, então, mais sorrindo do que rindo, direi: “Qualé, aquela era uma ferramenta estilística. Você sabe que eu nunca acreditei naquilo”.
Mas aí é que está a questão: eu acredito. À verdade agora e será no futuro. E apesar de não estar exatamente feliz com essa verdade, ela não me deixa triste tampouco. Sei que não é minha culpa.
Não é culpa de ninguém, na verdade. Ou talvez seja a culpa seja de todo mundo. Até deveria ser culpa de todos, já que todo o mundo sofre dele. Bem, tá certo… nem todo mundo. Mas sempre que eu conheço gente extrovertida e não imbecis, eu noto que todos eles partilham de uma única simples característica em comum: a incapacidade de experimentar o tipo de relação romântica arrebatadora e transcendental que eles julgam ser parte da vida normal. E alguém tem de ser responsabilizado por isso. Então ao invés de não culpar ninguém (o que seria meio covarde) ou culpar todo mundo (o que seria meio vil), culparei Matthew Broderick.
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