Era uma casa grande e bonita. Seus habitantes promoveram uma festa que nunca terminou e portanto, ninguém foi embora. Casaram, tiveram filhos e seus filhos tiveram filhos.
A festa já estava na terceira geração quando comecei a sentir umas dores, uma sensação estranha. Fui andando até o banheiro e tudo aconteceu: senti uma dor horrível em todo o meu corpo que ia encolhendo a ao mesmo tempo surgindo pernas, antenas e asas. Fui cambaleando, meio tonto a ainda não tinha noção do que estava acontecendo quando olhei para frente no enorme espelho na parede e só vi uma barata. Fiquei me procurando até que percebi quando eu fazia um movimento, aquele bicho se mexia no espelho. Mexi a pata dianteira. Ela se mexeu. Mexi a traseira. Ela se mexeu. Enchi os pulmões de ar e senti que levitava. Vi a barata voando e quando desejei parar, beijei-a no espelho. Não tinha mais dúvida: eu era ela. Foi quando tive a infeliz ideia de contar aos meus amigos o que aconteceu. Saí correndo do banheiro e fui percebendo que as mulheres afastavam-se de mim com terror e quando cheguei por fim ao meu grupo, meus amigos tentaram me matar, pisavam freneticamente em mim e nem sequer deixavam-me falar, pois eu não queria ficar naquela situação e tentava desesperadamente me comunicar. Mas eles não me deram ouvidos, a menor consideração depois de tantos anos, é só ter um problema e pronto, os amigos viram a cara e ainda pisam em cima.
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