Sobre Paulo e Sabina
A verdadeira história de Paulo e Sabina é bastante constrangedora. Paulo buscava mulheres mais bonitas e inteligentes que Sabina. Mas elas buscavam homens mais bonitos e ricos que Paulo. Sem muita alternativa, ele acabou ficando com Sabina, que não era assim tão bonita, mas pelo menos beijava bem. Também não era muito inteligente, não gostava de ler, preferia ficar no MSN conversando com as amigas. Esse gosto pela futilidade incomodava Paulo, que teria preferido uma mulher culta, com quem pudesse conversar sobre Dostoievski, Aldous Huxley, e sobre as teorias filosóficas que ele tanto apreciava. Sabina não gostava nem de filme de arte. Achava chato, muito parado, e ninguém pedia ninguém em casamento. Filme, para ser bom, tinha que ter pelo menos um pedido de casamento.
Paulo tentou, pela internet, conhecer outra garota. Tinha que haver pelo menos uma que gostasse de ler. E, de fato, havia muitas. Elas liam Clarice Lispector, eram introspectivas, tinham sensibilidade para descrever em detalhes o temperamento de uma pessoa. O rapaz ficava encantado, mas quando via as fotos, percebia que não poderia namorar uma garota daquelas — porque eram feias.
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