(Participação transcontinental! Márcia, uma das fundadoras do Clube, está em temporada européia e enviou esta contribuição por e-mail, que deveria ter sido lida no último encontro, se não fosse os problemas que tivemos aqui em nossa conexão, que impediu que víssemos o conto na caixa postal virtual. Mas aqui está, mais um saboroso – e apimentado – conto de uma das mais serelepes escritoras da confraria. Bom apetite!)
Um belo dia quando chego em seu ateliêr, me deparo pela primeira vez com um sofa
vermelho e digo:
“Hummm, que surpresa! Finalmente, um lugar decente para sentarmos!”
Costumávamos passar nossas tardes nos enroscando entre arquivos, quinas de cadeiras, pelas paredes como lagartixas em fricção. Muitas vezes, nossas incursões me deixavam, fatalmente, com algumas manchas roxas: nem ligava, nem sentia. A coisa esquentava tanto que, no calor dos afetos, só sobravam gemidos e espasmos.
Mas desde o surgimento daquele sofá vermelho como uma boca escarlate, era ali que passamos a nos amar aproveitando o impulso de cada mola do estofado.
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