
Dona Valentina Palma de Abreu, 49 anos, viúva desde os 41, acordou bruscamente às duas da manhã. Achou que o barulho vinha da sala. Sem acender a luz, e assim mesmo com estava, de camisola, saiu da cama e, sorrateira, foi até o maior ambiente do amplo apartamento. Spo então acendeu a luz. A três metros dela, de pé e com expressão perplexa, estava um homem jovem, de jeans e uma capa aberta.
“Olá”, disse ela. Devido talvez à brevidade do cumprimento, conseguiu não gaguejar.
“Desculpe”, disse o intruso. “Mas me disseram que a senhora estava viajando. Achei que não tinha ninguém em casa.”
“Ah. E a que se deve a visita?”
“Tinha a intenção de levar umas coisinhas.”
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