
Tesla Metterling conjecturou uma vez sobre a existência de um Deus em meio a inexistência de um paraíso. Era um Deus prosaico e humilde, que provavelmente vivia em uma choupana e cuidava de um jardim que não se chamava Éden. Já eu considero o contrário (poderia ser chamado de contrário?), a inexistência de um Deus em meio a existência de um paraíso. Um pacote paradisíaco completo, cheio de pássaros verdes e crianças lourinhas e rechonchudas tocando harpa. Nenhum Deus. Pergunte a qualquer habitante do paraíso quem é Deus e eles inclinarão as cabecinhas para a esquerda e coçarão o cotoruto. Os habitantes do paraíso não prestam contas a ninguém, e não conhecem nenhum velho autoritário de barbas brancas. Todos os habitantes do paraíso são jovens, belos e saudavelmente ateus. Mas nada disso deve ser levado à sério. São apenas imagens. Imagens reles de um daqueles sonhos que não nos lembramos no dia seguinte. Até onde eu sei, Tesla Metterling não era atéia, mas também não possuía nenhum fervor religioso em particular, ao menos nunca demonstrou, ao menos não para mim. Estando agora em frente ao seu cadáver, sinto ganas em questioná-la acerca de sua fé, mas temo que ela possa responder.
Não tenho nada contra Deus, ele nunca cometeu ato particularmente ofensivo para mim, embora a existência de animais como percevejos e rinocerontes me pareça um tanto fora de propósito, mesmo uma piada de mau gosto.
continue reading "“A Ressurreição de Paracelso”, por Guilherme Siman"



