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“A chamada onisciência é quase impossível. Na mesma hora em que alguém conta uma história sobre um personagem, a narrativa parece querer se concentrar em volta daquele personagem, parece querer se fundir com ele, assumir seu modo de pensar e de falar. A onisciência logo se torna algo como compartilhar segredos; isso se chama estilo indireto livre, expressão que possui diversos apelidos entre os romancistas- “terceira pessoa íntima” ou “entrar no personagem”.
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O estilo indireto livre atinge seu máximo quando é quase invisível ou inaudível: “Ted olhava a orquestra por entre lágrimas idiotas”. Em meu exemplo, a palavra ‘idiotas’ mostra que a frase está no estilo indireto livre. Tirem o adjetivo, e teremos um relato padrão: “Ted olhava a orquestra por entre lágrimas”. O acréscimo da palavra ‘idiotas’ levantam a questão: que palavra é essa? Não é provável que eu queira chamar meu personagem de idiota só porque está ouvindo música numa sala de concertos. Não, numa maravilhosa transferência alquímica, agora a palavra pertence, em parte, a Ted. Ele está ouvindo a música e chorando, e se sente constrangido - podemos imaginá-lo enxugando raivosamente os olhos – por ter permitido que aquelas lágrimas “idiotas” correcem. Converta a frase para a primeira pessoa, e teremos: “Que idiota, chorar por causa dessa peça boba de Brahms’, pensou ele”. Mas esse exemplo possui muitas palavras a mais, e perdemos a presença complexa do autor.”
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