
Entraram no quarto e havia as fotos num mural de cortiça de gente que ele não conhecia. Os pais, os irmãos, os sobrinhos, uma família a que ele não pertencia. Um armário todo branco, com a porta ligeiramente aberta, por cuja fresta se entrevia o abarrotamento dos vestidos, uma franja de saia que escapava. Uma escrivaninha moderna, com o laptop aberto com o papel de parede de ondas psicodélicas que jogavam no ambiente uma luminosidade cambiante; e, ao lado, o caderninho de notas, lápis, bilhetes, agenda, todos espalhados com desleixo sutil, como numa desordem previamente estudada. Numa pequena estante, com poucos livros, uma coleção de bonequinhos chamava a atenção. E havia a cama, de cuja vista ele desviara, com a colcha esticada, mas onde apareciam umas dobras amarfanhadas. As almofadas jogadas com certa displicência, a cama parecia lhe lançar uma súplica muda, mas ele se sentia mal, como um agnóstico entrando num aposento religioso. Que ela o tivesse convidado a entrar naquele quarto, já era quase amor.
Ela estava de costas para ele, à luz apenas do abajur sobre a escrivaninha e apontava algumas fotos da cortiça, eventos e fragmentos de sua história que ele não podia atinar a importância. Ele não gostava dessas histórias de família, pois lhe lembravam daquilo que ele queria justamente escapar. Por isso, fingia que a ouvia, deixando-se apenas impregnar pelo timbre de sua voz como um murmúrio sem significado. Ele olhou para suas espáduas, o dorso nu e a linha da coluna que se afundava na região lombar numa ligeira curva e foi num impulso inconsciente que ele estendeu o dedo e seguiu a linha das vértebras, sem tocar, entretanto, sua pele; mas bastou esta aproximação silenciosa de seu braço para que ela o pressentisse e num movimento igualmente involuntário, baixou a cabeça e semicerrou os olhos. E embora estivesse firme sobre suas pernas, foi a sensação para a ela de um súbito entorpecer e então seu corpo curvou-se de leve, muito levemente, para o lado e ele, num reflexo instintivo, esticou a mão aberta para apará-la como se evitasse sua suposta queda.
Então, ela se virou e o abraçou, como quem precisa de ajuda, e projetou o peso sobre seus braços, decididamente, obrigando-o a sustentá-la, mas num balanço de tal modo que deitar-se sobre a cama fosse inevitável e estavam ambos caídos sobre a colcha com suas dobras que se avolumavam como ondas. Quem beijara quem, já não mais se sabia, pois ambos os lábios haviam se juntado como que magnetizados por invisível força, ele sentindo com algum desconforto os músculos da insinuante língua dela adentrarem sua boca como um molusco, mas era somente a antecipação da umidade que ele ansiava.
Ela estava de saia e não fora difícil que a coxa dele já estivesse pressionando o espaço entre suas pernas e depois de tudo terminado, mais tarde, já não se recordaria do instante em que haviam tirado as camisas e se ela já estava sem sutiã desde o início. Apenas sentiu os lábios dela beijarem os pêlos de seus peitos e pensou, rapidamente – mas não era ele que deveria estar com a face entre seus seios? E então se surpreendeu que fosse ela que estivesse lhe sugando os mamilos e daí deslizasse sua boca para o centro da barriga; e foi neste momento que ele sentiu uma incímoda aflição o que o levou a, num gesto mais brusco, agarrá-la pelos braços, projetando-a para cima das almofadas. Levantou-lhe a saia e num movimento seguro e direto, retirou sua calcinha deixando sua vulva exposta em frente a seu rosto.
E, num gesto como que de arrependimento, dirigiu sua face para beijá-la romanticamente na boca, mas percebeu que seus olhos estavam fechados e ela estava simplesmente entregue. Ele aproximou-se lentamente, delicadamente, de sua abertura para sentir o hálito que suas reentrâncias exalavam e, como que inebriado, esticou com cuidado a ponta de sua língua para tocar a minúscula protuberância que despontava inteiramente aparente por entre seus espessos pêlos. E com o mais simples toque, ela se contraiu e se contorceu como se sentisse uma agulha transpassando a carne. Ele não havia percebido que uma das mãos dela havia agarrado seu ombro e sentiu apenas suas afiadas unhas fincarem-lhe a carne, o que o fez gritar e se mexer com controlada violência.
Ela juntou e dobrou as pernas para o lado, barrando-lhe a passagem e ele atirou-se em revanche com seus dentes sobre suas alvíssimas nádegas que então ficaram à mostra e os cravou em sua abundante e macia carne, o que a obrigou a virar o rosto e procurar com a rapidez de uma pantera sua orelha esquerda e, por um brevíssimo momento, ele temeu que ela lhe arrancasse o lóbulo tal foi a voracidade com que seus dentes se lançaram em direção à sua nuca. Mas ela apenas o mordiscou e ele sentiu um imenso, indizível prazer, como se ela tivesse descoberto seu ponto mais frágil e vulnerável. Ele dobrou-se como um feto se dobra, mas ocorreu-lhe que ele era o macho e que tinha que impor seu ímpeto masculino, então ele agarrou os tornozelos dela, abriu suas pernas com decisão viril e encarou a paisagem que se descortinara.
Ele visualizou sua fenda vertical abrindo-se como uma ostra, a carne interna frisada surgindo dentro de uma zona sombreada por pêlos escuros como os gomos de uma tangerina e sentindo-se firmemente enrijecido aproximou seu quadril com vagar medido, como um algoz sádico lentamente aproxima a arma fatal de sua vítima; mas veio algo como um súbito sentimento de piedade, como se o caçador se compadecesse de sua presa e ele quis apenas entrar com a ponta enrugada de sua glande no interior de sua vulva, negando-lhe a totalidade fibrosa de sua carne endurecida, mas ela foi mais rápida e decidida e num movimento muito sutil, rápido e inesperado enlaçou-o com firmeza pela cintura com suas pernas e o apertou de encontro a seu ventre e ele enfim sentiu-se jogado irreversivelmente num poço úmido, obscuro e sem fundo para nunca mais, nunca mais, sair.
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1 resposta
Um desafio lindamente bem sucedido: percorrer por secos e molhados com volúpia e sinônimos.
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