
Um dia, André acordou com o pênis duro. Não no sentido de “ereto”, mas literalmente. Ele não sentia um pedaço de carne, mas uma pedra entre as pernas. Apavorado, foi ao banheiro. Tentou urinar, mas nada saiu. Pulou para a masturbação, porém sem resultado. Estava simplesmente lá, pendurado, pesado, como se alguém tivesse aplicado cimento no dito-cujo durante a noite. Externamente, parecia um pênis não-circuncisado de praxe. André o tocava e a maciez sumira. Nenhuma sensibilidade. Ele o balançou, apenas para sentir um baque dolorido no saco. O impacto foi tamanho que ficou enjoado. Ia vomitar. Ficou de joelhos em frente à privada e urina saiu de boca. Quando terminou, sentiu o gosto de mijo e correu para a pia. Bochechou, mas não conseguiu evitar a regurgitação atrasada.
Perplexo, pediu folga no trabalho. Ligou para o médico. Sem fornecer mais detalhes para a secretária, gritou que a consulta era urgente. Mais tarde, viu o urologista que, intrigado, pediu mais exames. Dias se passaram e a situação se manteve. O pênis transformado em um pesado bibelí de formato orgânico e sua boca acumulando a função que pertencia ao outro órgão. Intrigado, o urologista assumiu não saber o que se passara e perguntou se ele se submeteria a uma banca. Embora a ideia de servir de cobaia de laboratório não o agradasse, aceitou.
Os meses seguiram. O desespero de André aumentava exponencialmente à medida que os especialistas o tocavam, cutucavam, espetavam (quebraram todas as agulhas no processo) e o sentenciavam. Desistiu quando escutou que, apesar de não saberem o que acontecera, ele poderia seu corpo à ciência quando morresse. Ser um homem com um pau petrificado era uma humilhação. Ser um verbete médico devido a esta condição, era gozação.
Finalmente, partiu para o último recurso, aquele a que só as almas mais desoladas apelam: a internet. Pesquisou sites variados e nada encontrou. Pensou em se matar, mas se lembrou do pedido do médico para se doar à ciência e desistiu. Não conseguia sair de casa. Os olhares o deixavam perturbado, como se, inconscientemente, todos soubessem de sua fatalidade. Perdeu o emprego.
Com medo de a razão também o abandonar, procurou um grupo de autoajuda. Não estranhou quando sua busca se mostrou infrutífera. Assim seria o resto de sua vida. Olhar para sacanagem sem poder fazer nada, urinar pela boca e ficar largado naquele apartamento, um pedaço de carne apodrecendo, com um concreto inserido nas partes baixas. Até que alguém se manifestou.
“Escuta, não fica assim.”
“Quem é?”
“Não interessa. Só escuta.”
“Puta que pariu, enlouqueci. À isso. Foi bom enquanto durou.”
“Cala a boca, porra. Não é sua cabeça. Quer dizer, é sua cabeça, hehehe. Mas não a de cima, hehe.”
“Você é meu…? Cacete!”
“Isso mesmo. Prazer, simpatia. Sei que andei me caladão, meio molengão, hehehe, desde que nos conhecemos, mas achei que era a hora de a gente levar um papo. Sabe, este negócio de petrificar? Leva a mal não, mas, sabe, achei que tinha que tomar uma atitude.”
“Atitude? Que porra de atitude é essa?”
“Maluco, tu tá me atrapalhando. Eu só tenho uma função para existir: foder. Para executar minha tarefa com um pouco de dignidade, preciso de um buraco. Mas você não faz nada com sua vida. Fica o dia inteiro vendo vídeo porní quando deveria tar procurando um bom buraquinho úmido para mim. Eu pareço mais um brinquedo de luxo que um agente da reprodução e do prazer. Então, se você me trata com um peso, decidi literalmente me tornar um pra ver se você se toca e não me toca, hehe.”
“Vai tomar no cu, filho da puta!”
“Eu não tenho cu, então… bateu na trave, entrou no teu, hahahaha!”
André se encheu. Foi até a cozinha e pegou um facão.
“Você diz que eu não faço nada com minha vida? Que tal isso?”
“Peraí, xará, vamú conversar…”
Antes que o cacete pudesse terminar a frase, André cortou, literalmente, relações com aquele corpo estranho. Enquanto agonizava na poça de sangue, um enorme clarão vindo do alto o atingiu. De repente, um grupo de mulheres lindas e seminuas o cercaram. O primeiro pensamento de André foi na ironia de estar rodeado por estas belezas logo após ter terminado com a única maneira de se relacionar com o sexo oposto.
“Parabéns, nobre terráqueo. Nós somos as amazonas de Manara, o planeta mais sexy do universo. Por anos, procuramos por nosso deus, o único ser que poderia reinar entre nosso bando sexy de mulheres entre 16 e 25 anos, seminuas e de tendências homoeróticas. O ser com todas as qualidades orgânicas que nós invejamos, mas sem aquela coisinha peçonhenta no meio do caminho.”
“O QUÀ?!?”
“Nós lhe damos a honra de ser o primeiro Rogéria, governante do nosso lar sexy-lésbico. O ser mais especial da galáxia, aquele que reinará dez mil no nosso planeta sexy-lésbico sem tirar uma casquinha e que não é gay.”
O segundo pensamento de André após escutar o monólogo foi que, se conseguisse escapar de Manara, ligaria para o médico em seguida, repensando na proposta de doar seu corpo à ciência.
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1 resposta
As manaras!
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