
Oi, meu nome é … Raphael, é … então, primeiro quero pedir desculpas a quem quer que seja o escritor do texto que deveria estar lendo, mas eu não pretendo lê-lo. Sim, vou fingir descaradamente que estou lendo alguma coisa aqui, porque eu sou um grande filho da puta e quero deixar vocês em duvida se sou eu real mente só um leitor avulso, ou se isso está real mente escrito aqui e é obra de seu autor. Vou até gaguejar algumas horas, errar algumas palavras, trocar outras, só para aumentar a sua confusão. Mas nada disso está aqui no texto a minha frente, é tudo eu mesmo falando, hahahahaha! Ou quem sabe não, e esta é mesmo a revelação do escritor do texto. Nunca saberão, hahahahaha!
Então, estou fazendo isso, porque tenho algo muito importante a revelar, algo que envolve pessoas que estão aqui. Sim, vocês mesmos que estão olhando agora! Como alguns podem ter notado, ou não, há uma pessoa faltando entre nós. Não falarei seu nome, pois quem o conhece, já sabe de quem estou falando. E a razão porque ele não está aqui, é porque eu o matei hoje de manhã! Sim, matei o miserável! Não me importo mais com nada. Dei-lhe pauladas na cabeça com um livro, uma edição de luxo do Crime e Castigo de Dostoievski. Agora mesmo seu corpo está lá jogado em sua sala de estar. Um corpo moribundo de um miserável, caído no chão, com a cabeça aberta e uma edição do Crime e Castigo pintada de sangue ao seu lado. Ahhh … falei, finalmente tirei isso de mim! Sim, sou um assassino, e não me arrependo disso. Depois do que ele fez contra mim, era isso mesmo que merecia!
Sei, alguns de vocês agora já estão compreendendo a verdade de minhas palavras e estão chocados. Enquanto outros ainda se encontram na ilusão de que isso e só uma brincadeira de quem quer que seja o autor do papel que estou segurando. Mas vamos, quem já sabe a verdade, ligue para a casa dele, veja como não responde! E querem saber por que o matei? Pode não ter ganho, mas o texto que apresentou no ultimo clube era o meu. Sim, foi a primeira idéia que tive para o mote passado, mas que depois descartei. Acabou em suas mãos, pois o considerava meu amigo, e assim fui traído. Ahh … como fiquei surpreso ao escutar aquele meu texto sendo lido há duas semanas atrás. E como fiquei mais surpreso ainda quando ele se disse seu autor. Como o miserável podia me encarar com uma cara tão limpa depois do que fez! Como isso me destruiu por dentro. À isso, não se pode confiar em mais ninguém. Enganei-me por uns dias. me disse que era só uma brincadeira. Lhe mandei mensagens no facebook pedindo explicações, mas nada, nenhuma resposta.
E eu sabia que hoje não poderia agí¼entar olhar para a sua cara sorridente aqui no clube, rindo de mim por dentro. Ou o matava aqui na frente de todos, ou o matava antes. E foi isso que fiz, fui a sua casa, aquele buraco da zona sul. Ele me atendeu como se nada tivesse acontecido, me olhando com aquelas órbitas desgraçadas e aqueles dentes brancos. Falei-lhe do texto, e ele só riu e me disse que isso era uma frescura que eu não devia me importar. Desgraçado! Desgraçado! Assim, peguei o Crime e Castigo que estava em sua estante e lhe enfiei naquela cabeça grande! Uma vez, de novo e de novo, até que não se movesse mais. E lá acabou ele, aquele ladrão, jogado no chão de sua sala. Imagino quantos textos mais terá roubado por aí! Mas acabou. Depois disso fiquei vagando pela cidade, imaginando o que iria fazer a seguir. Sabia que não tinha tomado nenhum cuidado no meu assassinato, logo facilmente com algum teste de DNA ou impressão digital seria reconhecido. Meu destino já estava traçado, então decidi vir aqui hoje acabar a piada como ela começou, numa leitura de texto. E é isso, essa é a minha confissão, chamem a policia agora, ou me ignorem, achem que sou só um leitor que pegou o texto de alguém para ler, realmente não importa, logo lodos saberão a verdade sem sombra de duvida. Podem ler o próximo agora!
Artigos Relacionados
Seja o primeiro a comentar
Deixe seu comentário