
Lá estava Rita com seu marido morto, degolado, ao seu lado. Ela o havia matado, fora um crime passional, apesar de disso nada ela se lembrar. Rita saiu desesperada pela casa, sabendo de sua culpa, mas nada dos motivos. O que teria a levado a matar seu amor? Pois sim, o amava muito. Olhando seu corpo ela sentia um misto de perda e de culpa, perda da pessoa mais importante para sua vida, culpa do sangue que pintava as suas mãos. No enterro, ficou muda. Quando os vermes o comeram, chorou algumas lágrimas. Todos a perguntavam o que a tinha levado a isso, mas nada podia responder. Sempre foram felizes, ele sempre foi o homem que a completou, que a soube confortar quando era necessário, que a soube jogar selvagemente na cama quando havia ou se criava a inclinação. Fora o homem com quem dividiu todos os seus sonhos e seus segredos, e agora estava morto, devorado por vermes, degolado por ela.
Pensou em culpar os macacos , três orangotangos da casta de cientistas por tudo, já que foram eles quem a mandaram a carta. Não sabia do conteúdo da carta, só sabia que era uma carta reveladora, apesar do detetive Albuquerque ter negado na investigação a importância da carta. Acabou que esta fora encontrada nas mãos de um padeiro local, que por isso fora rapidamente fuzilado numa noite de julho. Mas o detetive Albuquerque parecida a cada dia saber mais, primeiro prendeu a avó de Rita por estelionato, depois propôs Rita em casamento. Rita recusou-o veemente e pediu ajuda aos macacos cientistas. Estes fizeram-na experiências mnemônicas e suas memórias logo foram restauradas. Tudo lhe ficou muito claro.
Na noite do assassinato, Rita tinha pego na cama o detetive Albuquerque com o padeiro local. Nada demais já que não os conhecia, porém uma ligação de sua avó lhe revelou que o padeiro local era na verdade sua ex-namorada que havia feito uma operação para mudança de sexo. Operação esta realizada por um dos orangotangos cientistas, que após ver fotos eróticas de Rita com a sua ex-namorada, decidiu lhe enviar pelo correio fotos suas nu. Fotos estas anexadas de uma carta com seu currículo. Já que Rita é dona de uma famosa loja de biscoitos, uma multinacional que controla o mercado farmacêutico. A verdadeira razão do caso do detetive Albuquerque com o padeiro local, era tudo uma trama sua para futuramente extorquir remédios controlados da loja de biscoitos de Rita. Este mesmo detetive que na verdade era um dos filhos ilegítimos de um dos orangotangos cientistas. Renegado por sua aparência mais humana que símia. Albuquerque crescera pulando de um orfanato a outro até conhecer o amor de sua vida, dona Rosália, uma de suas professoras, e fugir com ela para o campo, onde a pobre depois de cinco anos de felicidade fora atropelada por um trator, o que levou Albuquerque a loucura, a anos em hospícios e por fim ao vício nos remédios. A idéia de extorquir a loja de biscoitos viera de sua recém encontrada mãe, a avó de Rita. Não só era a avó de Rita, mas também a terapeuta sexual do padeiro local, a ex-namorada de Rita.
Nada disso importava em relação ao assassinato do marido de Rita. Sua morte fora completamente acidental, resultado de uma serra elétrica na mão e de um tropeço, que fizera por fim ela também perder a memória. Sua avó morreu na prisão. O detetive Albuquerque se casou com a irmão do marido de Rita, Olga, uma ex-nazista, metade molusco. E Rita em si nunca mais largou dos vermes que comeram seu marido.
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