
Amava seu marido. Disso tinha certeza. Ninguém, nem mesmo ele, poderia duvidar de seu amor, que fazia questão de mostrar a todo momento, não só dizendo “eu te amo”, mas também agindo como tal. Ele era respeitoso, carinhoso e a estimulava intelectualmente. Ela, por sua vez, o tratava como um rei, dava apoio, não deixava de estar lá para ele sempre que ele precisasse, e também buscava não sufocá-lo muito ” tinha aprendido com seus relacionamentos anteriores que homens gostam de liberdade, mesmo que falsa. Gostam de ter a ilusão da liberdade, precisam dessa ilusão pra continuar em um relacionamento. A convivência entre os dois era boa ” tirando pequenas discussões de ordem prática sobre a posição dos móveis da sala ou sobre a troca do rolo de papel higiênico. Mas não havia nada que realmente abalasse a relação. Era tudo na medida do quase perfeito, não fosse um quesito que escapara da avaliação. O sexo.
Não que fosse uma merda. Só não era bom. Talvez fosse até um problema dela: gostava de sexo selvagem, com tapa na cara, com muitas pessoas ao mesmo tempo. E também gostava de sexo profundo, lento, daqueles que duravam um dia inteiro, com velas, perfumes, tecidos para estimular as sensações. Gostava de sexo, basicamente. Seu marido, por sua vez, tinha ” ela estava certa disso “, tinha problemas com sexo. Talvez fosse algum problema de infância, a mãe repressora que aparecia antecedendo cada momento de gozo. Algumas especulações, nenhuma resposta. A verdade é que esse era um assunto complicado, não dá pra chegar assim e perguntar pro cara que você ama: “ei, seu pau não dura muito tempo em pé, é por causa da sua mãe?”. Esse era definitivamente o maior problema entre eles. Mas o amava, e isso era o que bastava para ser fiel. Pelo menos do ponto de vista dela. Nunca o havia traído, nem por um sexo casual, coisa que poderia arrumar em qualquer lugar, pois não era uma mulher feia. Mas ele era carinhoso, fazia sexo oral sem ela nem ter que pedir. E ela nem chegava a pedir, porque ficava sempre à espera do pau. Ela gostava de pau. Sexo oral, pra ela, era como um prêmio de consolação: legal, mas de longe não tão bom quanto o primeiro prêmio. Mas era mal ou bem uma maneira de gozar, já que com pau dentro era impossível, dado o pouco tempo dedicado ao afazer. Ele só gostava de papai e mamãe, e durava três minutos ” com sorte conseguiam chegar a cinco.
Foi por isso, e só por isso, que, naquele dia, de madrugada, saindo da festa de uma amiga, sozinha ” porque ele nunca ia í s festas de seus amigos -, não fez escândalo. Quando ela percebeu que estava sendo seguida, a princípio gelou e achou que fosse ser assaltada. Procurou despistar o cara, mas foi em vão. Duas ruas antes de chegar em casa, numa esquina vazia e sem iluminação, foi dominada pelo homem, que ela nem conseguiu enxergar muito bem, mas que provavelmente não deveria ser muito bonito ” homens bonitos não precisam de mulheres à revelia, e ela já tinha entendido do que se tratava. Ele a pegou por trás, imobilizou suas mãos e a jogou contra a parede. Tampava a sua boca e ela fazia que tentava berrar. Fazia que ” porque não tentava. Mas era preciso oferecer resistência, só por oferecer. Sabia que a onda dos estupradores era tomar o que não era deles, e, se parecesse gostar, ele poderia desistir. Fez um pouco de força, lutou, mas o homem era sem dúvida muito mais forte que ela. Poderia ter dado uma joelhada em seu saco, mas, bom, não era exatamente isso o que ela queria. O homem rasgou sua calcinha, botou o pau pra fora e meteu sem pedir licença. Ela chorava, mas não era de tristeza, era de êxtase. O homem durou sete minutos dentro dela. O que não era muito, já que estupradores também costumam sofrer de ejaculação precoce, mas pelo menos era mais do que o que tinha com o marido. Um pouco antes do homem terminar o que tinha ido fazer, ela gozou. Gozou baixinho, ele não deve nem ter ouvido, mas gozou como se o mundo explodisse. Gozou como há seis anos, desde que começara a namorar José, nunca tinha gozado. O homem acabou, botou o pau pra dentro das calças, deu um tapa em sua cara, sussurrou algo em seu ouvido ” que ela não ouviu, pois estava extasiada ” e foi embora, correndo. Ela ficou ainda um tempo ali, tentando lidar com o que tinha acontecido.
Chegou em casa. Passou a chave na porta com cuidado para que José não acordasse. No quarto, olhou para ele. Dormia como um bebê, até roncava um pouco ” um ronco com o qual ela já estava mais do que acostumada. Ele tinha uma expressão plácida e ela até sorriu. Entrou no chuveiro, tomou um banho demorado. “Tenho que ligar pra minha ginecologista amanhã, pra marcar os exames necessários”, pensou. Voltou pra cama, beijou seu marido na boca e aninhou-se em seu corpo. Pensou em como era bom estar ali, de noite, fazendo conchinha no homem que amava. Pensou que de certa forma o tinha traído, mas não precisava nem se sentir culpada, pois não tinha feito por onde. Beijou-o mais uma vez. Chegou bem perto de sua orelha e disse: “eu te amo”. Ele ronronou alguma coisa e também se aninhou em seu corpo. Ela deixou cair uma lágrima, fechou os olhos, relaxou o corpo e dormiu. Dormiu o sono dos justos, sabendo que depois dessa noite poderia muito bem passar mais outros seis anos com o aquele homem, o homem que tanto amava, o homem da sua vida.
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3 respostas
Conchinha é bom nos dez primeiros minutos e em comédias românticas.rsrs.
Massa o texto.
Pena que não só de conchinha vivem as mulheres. Sexo é necessidade! Ã?timo conto, MaÃra, adorei
.
Achei, no mÃnimo, estranho.
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