Esta é uma das conferências transcritas no livro “Cinco visões pessoais”, publicado em 1996 pela Editora da Universidade de Brasília. A tradução foi feita por Maria Rosinda Ramos da Silva. O texto foi proposto ao Clube por Fausto Oliveira e é o mote dos contos que participarão da rodada competitiva no dia 25 de agosto.
“Há, pois, o problema do tempo. Esse problema pode não ser resolvido, mas podemos revisar as soluções que lhe foram apresentadas. A mais antiga é a de Platão, em seguida a de Plotino, e, depois, a de Santo Agostinho. É a que se refere a uma das mais belas invenções do homem. Ocorre-me que se trata de uma invenção humana. Talvez vocês pensem de maneira diferente, caso sejam religiosos. Eu digo: essa bela invenção da eternidade. Que é a eternidade? A eternidade não é a soma de todos os nossos passados. A eternidade é todos os nossos tempos passados, todos os tempos passados de todos os seres conscientes. Todo o passado, esse passado que não se sabe quando começou. E, naturalmente, todo o presente, esse momento presente que engloba todas as cidades, todos os mundos, o espaço entre os planetas. E, é claro, o futuro. O futuro, que ainda não foi criado, mas que também existe.
Os teólogos supõem que a eternidade vem a ser um instrumento no qual milagrosamente se integram esses diversos tempos. Podemos usar as palavras de Plotino, que sentiu profundamente o problema do tempo. Plotino disse que há três tempos, e os três são o presente. Um é o presente atual, o momento em que falo. Quer dizer, o momento em que falei, porque esse momento já pertence ao passado. A seguir, há o outro, que é o presente do passado e que se chama memória. E o outro, o presente do futuro, que vem a ser aquilo imaginado por nossa esperança ou por nosso medo.”
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