Inspirado num trecho de “O dia do gafanhoto”, de Nathaniel West.
Lido em 3 de março de 2009.
Você tem certeza que vai ter esse filho?
À melhor fazer cesariana, parto normal acaba com a mulher.
A mãe que não nos ouça, mas ele parece uma mistura de camundongo com girino, e com uma piaçava acoplada na cabeça.
Pena que você não herdou os olhos azuis da sua mãe.
Não mexe aí que é perigoso.
Cuidado!
Você vai cair, eu não falei?
Garoto burro.
Mamãe está muito triste porque você não pára de gritar.
Não me bate, moleque, que eu não sou teus coleguinhas da escola, não.
Não quero você no meu time, você joga muito mal!
Vê se te enxerga, garoto!
Você não tem espelho em casa, não?
Não vai dar, vou sair com outra pessoa.
Hoje não vai dar.
Não.
Não.
Pra quê você quer meu telefone?
Eu tinha certeza que você não ia passar.
À melhor você desistir e arrumar um emprego. Tua cabeça nunca foi boa pra estudo, mesmo.
Você não tem as qualificações necessárias.
Você não foi selecionado.
Não.
Não.
Vai ficar o dia inteiro sem fazer nada?
Aqui na minha casa vagabundo não se cria, não.
Não.
Não.
Eu não quero saber, se vira!
À pegar ou largar.
Não, moço, não, pelo amor de Deus!
Foi ele sim, tenho certeza.
Não dá pra entender porque alguém faz isso.
Fica determinada a condenação do réu à 20 anos, sem direito à recurso ou apelação.
Blam.
Artigos Relacionados
Seja o primeiro a comentar
Deixe seu comentário