Tomei uma decisão. Partirei rumo à Patagínia. Lá faz muito frio. Dizem que há focas, pinguins e leões-marinhos. Frio é tudo que eu preciso.
Contam que na Patagínia há uma aldeia onde não se usa dinheiro. Lá é possível se hospedar nos hotéis, comer nos restaurantes e beber nos bares sem pagar nada. Nas feiras distribuem-se peixes e barbatanas de tubarão.
Deve-se sempre, no entanto, saber retribuir , mas não na forma vulgar de escambo. A lei na cidade é dar coisas sem nada exigir em troca. Mas é importante dar, não importa a quem. O melhor é dar a quem nunca lhe deu nada. Um livro, um agasalho, uma xícara de chá-mate, um peixe na hora pescado.
Deve-se dar, mas nunca em troca, pois é entendido como falta de educação. Gratuitamente. Graciosamente.
Pois me dirijo para esta aldeia perdida na Patagínia. Hei de lá chegar. Lá faz muito frio. Frio é tudo que eu preciso. Só me desespero em saber o que vou levar aos habitantes daquele peculiar vilarejo. Não levo dinheiro, pois sei que lá de nada adiantaria. Também não levo mais nada. Não sei o que poderei oferecer aos meus futuros anfitriões. Não tenho alegria ou tristeza, sequer um sorriso. Sou um homem fraco e não tenho forças para trabalhar. Não sei pescar, muito menos caçar. Nunca trabalhei no comércio. Não tenho livros.
Talvez dê meu casaco, já puído. Sei que lá faz muito frio, muito mesmo, mas frio é tudo que eu preciso.
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1 resposta
atenção: este conto não tem vÃrgula no tÃtulo…
at.
o autor.
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