(fragmento do conto que integra o livro “Azar do personagem”)
Tinha uma baita gostosa lá no trabalho. Desde que ela entrou na firma, a negada caiu matando, babando. Eu me fiz de louco, dei de mineirinho, sabe como é, um papinho ali no cafezinho, uma conversinha no elevador, fui devagar e sempre, não afobado igual aos outros. Fui indo e indo, daí já tava almoçando com a Keiti, era Keiti o nome dela, e aí era a hora de mostrar que eu também não sou bobo, que não era pra amiguinho que eu tava. Chamei ela pra um chopinho e tal. Mas pra encurtar, que esse não é o ponto, ela topou e eu apliquei o golpe da batatinha e arrastei a Keiti lá pro meu apê. Qual é o golpe da batatinha? Pô, pede batatinha, elas sempre querem batatinha. Aí, na manha, tasca-lhe sal e feito: é uma mordida, um copo de chope, outra mordida, outro copo. Tranquilo, se não for nenhuma cachaceira, em seguida fica bem soltinha, prontinha, no ponto. Foi o que aconteceu.
Aí a gente se mandou lá pra casa e tava tudo uma beleza, conforme manda o figurino, ela querendo, e foi no sofá mesmo, tava mandando ver, e então rolou. Sabe como é, camarada: primeira vez, gata nova e ainda por cima, gostosa como a Keiti. Me segurava o máximo, atrasando pra ela ficar louca e querer repetir outro dia, mas nesse vai e vem o lance da batatinha virou contra o feiticeiro. Explico: também tomei meus chopinhos e, no meio da brincadeira, no meio do bem-bom, resolveu me dar aquela vontade de tirar a água do joelho e daí controlava a gozada do outro lado, a bexiga do outro, e ela gritando que ia ter um orgasmo, me apertando e, sei eu como é que pode um negócio desses, quando fui soltar a ejaculação, soltei o lado errado e mijei. Não ri, pô. Não ri. Velho, a Keiti teve um treco. Como é que ela disse mesmo?
“Alisson, que é isso? Estourou a camisinha?”
“É, mais ou menos…”
“Como assim?”
“É…tipo..Ããm… vazou?”
“Vazou? Como vazou?”
“Tipo isso… transbordou e tal…”
“Transbordar? Nunca vi disso, mas então tira logo que eu não tomando pílula…”
E aí? Aí eu tirei e veio abaixo aquele mijo todo e pronto:
“Alisson! Seu podre, bagaceiro, tu mijou em mim?”
“Pois é, mas não foi por maldade…”
“Claro que não, foi por porquice, que nojo, ai não acredito, cadê minhas roupas, que nojo…”
“Calmaí, Keiti, isso nunca aconteceu comigo, é que eu tava com vontade e prec”
“Tava com vontade, é? E me achou com cara de penico? Tu faz tudo que tem vontade, seu bicho?”
“Não, deixa eu explicar.”
“Deixo nada. Agora eu que tenho vontade de ir embora. Me esquece.”
Cacetada. Aquele monumento indo embora e eu sentado ali no sofá, que nem criança, todo mijado. Só que eu não sou mais criança e tinha que limpar aquela porcaria toda. Fiquei pensando enquanto esfregava o sofá, que além deter gastado meus cartuchos com a Keiti, ainda ia queimar meu filme com o resto da mulherada da firma, porque mulher fala. Ah, se fala. Vai dizer? Quer passar o rodo nelas, é só pegar uma e fazer bem feito. Pronto, propaganda garantida, o resto é se apresentar. Mas não interessa agora. O que interessa é que a coisa podia ficar pior. Se fosse só isso, eu não tava aqui no hospital te contanto esse papo, né? Então, esfreguei estofado, o piso, Pinho Bril, esponja, coisa&tal. A função demorou um pouco e já tava pra amanhecer, nem ia dar tempo de tirar uma pestana antes do trampo. Ia virado mesmo. Feita a faxina toquei pro banho, pra tirar a inhaca e também ficar um pouco mais acordado. E, sabe como é que é banho, né? Chuveirinho, aquele som da água correndo, parece que ligam um botãozinho e a gente precisa dar uma mijadinha no boxe. Fala sério. Todo mundo faz isso. Bom, eu faço. Calma, é imporante essa parte da mijada. Por quê? Seguinte: é que eu fiz mira ali no ralo, dei o impulso e, em vez do líquido amarelo sair, me deu uma tremedeira nas pernas, um arrepio, uma moleira e, quando vi, gozei. Juro. Meu, eu não ia inventar uma droga dessas. Olhei apavorado pro piso, aquela porra lá. Putz. Nem terminei o banho direito. Fui pra sala, fiquei fingindo que pensava no problema , mas, na real, nem conseguia pensar direito. Fiquei vendo a TV desligada por muito tempo.
Artigos Relacionados
Seja o primeiro a comentar
Deixe seu comentário