O amor te fode todo, diante da sociedade, da família, do trabalho. Chega sorrateiro, e te passa a perna. Você se torna um bobo, um Zé Ninguém, um escravo diante daquele mar, daquele gigante que entra em ti. É você contra o mar! Você chora, você grita, lastima, mas não adianta, é ilusão. Quanto de choro se precisa para se esgotar um mar? E um dia você acorda e diz, com seu pensamento psicanalizado, entubado de Freuds contemporâneos, e todas as frases de impacto dos livros de Auto-Ajuda (Sim, porque até a isso, final dos tempos, socorro, você recorreu): Esse sentimento não vai mais me dominar, eu estou no controle! Há há há há há há No dicionário do amor não existe a palavra controle, e quanto a domínio, até existe, mas todos os seus significados estão vinculados a posições sexuais. Aí você vai escovar os dentes, obstinado, mais contente, toma seu banho, vai pro trabalho. Feliz da vida. No controle. Vamos valorizar o amor-próprio, o eu, o eu, o eu, o tu só existe se eu permitir…O telefone toca, aquela voz…aquele jeito manso de falar….As pernas estremecem, o estômago se contrai, e basta ouvir o som daquela voz para que você esteja de quatro outra vez. Vira cadela, e cadela vira-lata mesmo.
O amor acha impróprio o amor-próprio. É fanatismo! É entrega! É simplesmente amor! E pôxa, como é doce! É esta doçura do amor que seduz, que maltrata. Você faz tudo por aquele tesão, porque é tesão de corpo, de alma e de coração. Você está vivo!!!!
Quer sensação melhor do que se sentir vivo? A vida, o mar, uma fogueira dentro de você! E o mundo te pede calma, sensatez! O mundo não entende os que amam com todo sangue, é um mar que tá ali dentro! É fascínio, é alegria, é peso, é dor. Ai, muita dor. Somos como sobreviventes do amor, a morte espreita aos que amam. A morte tem inveja de tanta vida. E vem mais dor, é tanto prazer que faz doer. A dor de amar, o grito mudo dentro do peito, grito por sexo, por gozo, mistura de morte e prazer.
Por isso, meu querido Vinícius, que não acredito no teu estilo de amor. Você tinha amor por seus amigos, não por suas mulheres. Não venha querer me convencer, com lindos versos, no fim do amor. Não a mim. E “chama”, “posto que é chama”? Posto por quem querido amigo? A brisa de Ipanema que te fez pensar em chama, amigo. Amor é incêndio! E fidelidade é atemporal, não se estima o seu fim. Fidelidade e Garota de Ipanema num mesmo espaço? Amores, mais precisamente sete amores, sete casamentos, e entre cada um deles, uma mesa de bar. Numa única e fulgaz vida, pessoa, não cabem sete amores.
Ai amigo, juro que não é esculacho, é muito mais uma homenagem. Ai de mim, quisera eu ter a tua doçura…Ah, tá bom, eu acredito! Você seria mais atento aos seus amores se as Garotas de Ipanema não fossem tão lindas! Mas também Vinícius, se conhecesses o amor que em vez de chama, é vulcão, não teríamos o equilíbrio, a leveza e o singelo de ti. Ah, você sabia o quanto eu precisaria da tua beleza, do teu encanto, do teu remanso! Então era isso? Que nobre! Te amo muito Poetinha!
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1 resposta
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