O grande historiador de arte John Ruskin foi virgem até os trinta anos quando se casou com Effie Gray, uma conhecida de infância. No entanto, conforme dizem seus biógrafos, no dia de sua lua de mel, Ruskin teve uma enorme decepção. Ao ver sua esposa nua pela primeira vez, o esteta estranhou ao ver seu denso monte de vênus. Ruskin conhecia a nudez feminina das estátuas gregas, inteiramente lisas e brancas como o mármore. A imagem da mata pubiana de sua meiga esposa, cujo rosto era angelical, lhe causou não apenas surpresa, mas imensa repugnância. Acreditou que ela tivesse algum problema. O impacto desta descoberta foi tão grande que Ruskin passou a sofrer de uma “impotência incurável” que levou mais tarde o casal a anular o casamento.
Se Ruskin vivesse em nossos tempos, seus problemas estariam resolvidos. Hoje se tornou habitual entre as mulheres realizar a completa raspagem de suas partes íntimas. A técnica de depilação íntima total foi desenvolvida curiosamente no Brasil, país dos mais ínfimos biquínis e exportada por depiladoras profissionais para os Estados Unidos onde ficou conhecida como The Brazilian Wax ” a cera brasileira. À utilizada não apenas por profissionais do sexo, mas também por grandes estrelas de cinema, que divulgaram a moda para o mundo todo.
Imagino que esta representa a tendência geral à higienização de nossos dias e também à crescente infantilização de nossas relações. Muitas mulheres, ao realizarem a depilação íntima, querem ficar parecidas a “garotinhas” e contribuir para o acentuado grau de pedofilia enrustida de nossa sociedade.
Eu sou o oposto de Ruskin. Só consigo me excitar quando me deparo com uma abundante floresta a cobrir o baixo ventre feminino. Gosto também de densos pêlos nas axilas. Dizem os biólogos que o corpo das fêmeas humanas era coberto antigamente com pêlos como os das fêmeas símias, mas com o correr do tempo os cabelos foram desaparecendo, permanecendo apenas nas regiões odoríferas do corpo, pois o cheiro absorvido pela penugem tem uma função afrodisíaca, representando uma vantagem evolutiva na hora do acasalamento.
Por esta razão, tenho tido dificuldade com as prostitutas, uma vez que todas adotaram a recente moda e se apresentam a seus clientes completamente raspadas, oferecendo-se a um desejo panóptico de tudo mostrar, de transparência abusiva, onde não cabe nenhum mistério. Eu prefiro imaginar que, para atingir o sexo feminino, preciso me aventurar por obscuras e recínditas regiões corporais, onde posso me perder, e é esta viagem, aliada à embriaguez dos odores íntimos corporais, que intensifica e avoluma meus fluxos sanguíneos.
Minha ex-namorada, Mariana (nome fictício), não chegava a praticar a depilação total, porém ia com freqí¼ência à depiladora, de onde retornava com menos de 20% de sua flora original, o que esvaziava o meu vigor. Tentei convencê-la a deixar suas matas nativas crescerem livremente, apresentando-lhe antigos filmes eróticos europeus, mas estes não surtiram efeito. Mariana achava repulsivo o excesso de pêlos, e ainda tentou me convencer a arrancar os meus, pois dizia que não gostava, durante o sexo oral, de ficar com “pentelhos” em sua boca. Em breve, portanto, nossa relação se mostrou incompatível e rompemos.
Com minha atual namorada, Fabiana ” nome fictício ” estou conseguindo maiores progressos. Antes de me conhecer, Fabiana costumava ir à depilação com a freqí¼ência semelhante a das demais mulheres de sua idade, porém a convenci a espaçar mais as suas visitas. Agora, faz oito meses que Fabiana depilou-se pela última vez e seu aspecto melhorou muito.
Em seu púbis cresceu uma encaracolada e espessa cabeleira de tons levemente ruivos. Quando me detenho no estreito espaço triangular entre suas coxas, sinto um grave odor que me energiza, enviando-me a um transe desconcertante. Fecho, então, os olhos, e deixo-me vagar por semovente e úmida floresta, onde me perco. Deslizo por riachos e corredeiras que me conduzem para recínditas regiões de vegetação fechada. Penetro em grutas de absolutas penumbras claustrofóbicas, de onde, solitário, posso verter lágrimas que se evolam misturadas ao vapor asfixiante daquela escuridão. Cachoeiras, então, despencam, de dentro da rocha, trazendo balsâmicos fluxos liquefeitos, que se derramam sobre minha carne prostrada e me revigoram. Expectoro então meus fluidos e, sob frêmitos ensandecidos, desfaleço em suave apaziguamento. Adormeço em seguida, e quando desperto me descubro deitado sobre a relva ensolarada.
Fabiana agora está grávida. Ela espera uma menina, a que daremos o nome de Juliana (nome fictício). Conforme se aproxima a hora do nascimento, nos vem, a mim e a minha mulher, uma constante preocupação. À a de que, na hora do parto, as enfermeiras decidam realizar a cirúrgica e higiênica raspagem, segundo os procedimentos clínicos usuais. Ambos estamos decididos que não permitiremos levar a efeito esta profanação. Quero ver a cabeça de minha pequena menina surgir tal como uma rocha coberta de musgo, emergindo das entranhas remotas do bosque profundo e primordial de minha mulher.
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1 resposta
CARA PRA MIM, VC Ã? UM MANIACO… LOKO…. COISA MAIS NOGENTA AQUELA CABELEIRA…
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