Ela disse que vai estar lá e eu vou lá pra ver qual é. A festa Rave é pra valer. Conheci a menina esta semana e caí. Ela, solta, e eu, solto, momento fantástico. Ela vai com uns caras aí do curso dela e eu vou lá com meus camaradas e a gente vai se encontrar, com certeza. No acaso determinístico da paixão. Nunca fui na Rave, e isto é grave. Em Guapimirim, onde é que fica? na subida da serra de Terê, perto de Parada Modelo. Ah, saquei! Foi onde comi cogumelo da bosta da vaca com leite condensado. Viajei no pasto, o sol pegando, depois fui tomar banho de cachoeira na serra, com a namorada morena que rasgou meu coração. Vacilou. Agora a parada é outra. A menina da vez é loura e é responsa. Despachou o namorado, mauricinho otário. Então, foi só um risco de olhar, cintilação sincrínica da íris, torpedo cruzado da mente. Agora é a gente, e se der, vai dar. A Rave é pra valer. Ela vai estar lá e eu vou estar lá. A lua, o campo e o som. O ritmo bombando alto, o coração na batida perfeita. Como é que chega em Guapimirim, 3 da madruga? Não tenho carango! Na Lapa me arrumo com meus camaradas, bebemos todas e partimos então. A Rave é pra valer. A gente vai se encontrar e vamos pular juntinho gritando uh-uh. E o fumo? Quem leva? Não pode? Só aguinha e êxtase? Àxtase! Pulando juntinho gritando uh-uh! A boa é pegar uns cogu no pasto do fazendão. 10 na Lapa e vamos nessa. Varar a noite. No meio da multidão, a gente vai se encontrar, com certeza. Ela ela ela. No meio da multidão. A Lapa está fervendo. Odisséia, Democráticos, Circo, Fundição. À a Lapa, e depois é Guapa! Sob a Serra dos órgãos, na beira da Baía. A lua, o campo e som, nosso êxtase pulando juntinho. E o carro? Vai chegar! Vamos tomar outras, a noite apenas amanhece. A noite é uma menina de rua da Lapa. Essa parada prensada é forte mesmo… Música, MPB. Mas daqui a pouco só batidão no coração. Ela vai estar lá e eu vou estar lá. No meio daquela galera alucinada. Dizem que tem muito marombado, não tem baseado e é só na aguinha. Não tem cerva. A gente leva! E o carro? Vai chegar! A Rave é pra valer. Uma da madruga, Lapa! Vamos comer um cachorro, pra segurar a onda. Está vendo aquela menina? Parece sozinha, com as amigas. Eu conheço… À a morena da cachoeira. Mais de um ano juntinhos. Vínhamos sempre à Lapa. Uma noite, no Democráticos, dançando forró, no arrasta-pé. Gente boa, mas parou, morreu. E o carro, vai deixar na mão? Eu chego em Guapimirim nem que seja de balão. No meio do pasto eletrínico, o tecno quicando na veia. À ir atrás dela, a lourinha, surfando na multidão do êxtase, deslizando nas ondas eletrônicas. A gente vai se encontrar, com certeza. E o prensa, onde a gente esconde, será que tem segurança? Dizem que ninguém aperta, só pula, são os evangélicos do ritmo, os tecno-evangélicos. Mas ela vai estar lá e eu vou estar lá, e a lua vai estar lá e os cogumelos em volta. No ritmo do batidão. Total, completo! O carro é que não chega e já são duas e meia. Ih, a morena agora deu mole, olhou para mim, se tocou. Percebeu que eu estava só de olho nela e lembrando o banho de cachoeira. Na esquina do Carlitos, sob os arcos, sob a lua. Está rolando um sambinha no Comuna do Semente. Mas, o que passou, passou, a noite é do cogumelo do êxtase, cogumelo atímico do batidão da Rave. A Rave é pra valer! Caixa de som estourando nos graves. E nada do carro, quanto tempo leva para Guapimirim? O carinha falou que está o maior tiroteio na Linha Vermelha. E a Brasil? Pior! Roleta russa ou roleta carioca? 3 da madruga e já posso ouvir as carrapetas da festa. Ou será do teatro Odisséia? Vamos nessa, galera! Passar invisíveis pela falsa blitz da Linha Vermelha. Sabe a morena? é uma gracinha, acampamos em Mauá e matamos a pau… Por que parou? Foi a vacilação. Agora olhou para mim e diz que quer voltar. Mas temos que ir, 3 e meia e o relógio girando, a Rave fervendo, e o êxtase se evaporando continuamente. Chove alegria em Guapimirim! A lourinha já deve estar a mil, com seus coleguinhas oportunistas. Mas eu vou aparecer lá, não sei como, mas vou, com certeza. À preciso muita fé no amor, fé no acaso, fé no ritual eletrínico da Rave. Não sei se estou viajando, mas a morena não desgruda o olho de mim. Ela não cai na real? O passado passou, uma pedra dividiu o rio, cada um seguiu seu curso, o que fazer? Vida que segue. Mas será que ela está vindo nesta direção? Provocação! Quem viu um balão, faz sinal. Ela entrou na Joaquim. Será que vai subir para Santa? Que horas são, se já amanhece? E a Rave, é pra valer?
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