Que pena, a melhor metáfora que lhe cabe é a bebida, e por resultado, a minha embriaguez. Porque você me cabe em poucas doses, regradas, intervaladas. Nunca te tomo num só gole. Meu Deus! Como posso me esquecer daquele dia no qual nós dois caímos madrugada adentro, se infiltrando nos lugares mais perecíveis da cidade. Àramos dois, um protegendo o outro, pisando em lodo, senão esterco de cavalo roubado por um bandido à mão armada. Quietos, isso é um assalto! Você gritava a todos os passantes noturnos, morcegos, mais turvos do que nós. E minha visão acompanhava em relapsos de manchas, como graxa jogada ao vidro de um carro. Stuplaft. Podia até ouvir o barulho. Seu rosto estava assim, esparramado, negro, sujo, se confundia à noite. Eu gritava, cantava, para poder te recuperar. Mas você nem estava aí. Já bebera três doses de whisky, e o fizera em copos de coca-cola média de uma birosca qualquer. E eu também, já nem me lembrava de quantas doses foram, de quantos beijos sangrentos, e lágrimas. Meu caro, nem tudo cicatriza tão rápido. À como uma queimadura que arde agora e apesar de não arder amanhã, a temerás para sempre. A dor não cicatriza, ela é uma marca profunda na dimensão do medo, que nem com anestesia sara. Meu caro, estou machucada. Não me importa mais o que foi ontem, ou aquela noite, sinto-me arder neste momento. Minha fala em A absoluto é vazia. Meu choro em de Dó menor é triste demais para você. Você não agí¼enta. Só quer a felicidade. Você não agí¼enta, não agí¼enta, não agí¼enta. Mergulho de um penhasco, furo o mar. Alcanço as raízes desse fundo, onde nada enxergo. Ali me apego, para me salvar. À preciso se apegar às coisas que gostamos. Retorno, e me apego a você. Novamente, embriagadamente, felizmente.
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