(OBS: Eventuais e aparentes erros gramaticais são de total responsabilidade (e consciência) do autor! Este texto foi tirado na verdade do programa do espetáculo que Fausto estava levando na Letras & Expressões. Carmen, que foi sua vitoriosa lobista aqui no Clube, recomenda.)
“Piscinas de palmolive incandescente borbulhante são habitadas por gigantescos caranguejos clonadaços, por assim dizer, caranguejos experimentais que serão muito úteis nos estudos do magma terrestre. Mingau do fundo da terra. Caranguejos batscafos equipados com patas cheias de nano captação. Crianças usando máscaras rasgadas de jogadores das seleções brasileiras campeãs do mundo atiram latas de azeite nos caranguejos gigantes. E tome pivetinho Beline mandando azeite no palmolive escaldante. E tome pivete Rivelino zoando o caranguejo batscafo. Essas piscinas de palmolive incandescente habitadas por experimentos biológicos ficam situadas nas proximidades do vale do silêncio, uma mega pista de skate abandonada com seus vinte quilímetros quadrados de obstáculos e curvas no vale do silêncio, surdos mudos trabalham firme em projetos de engenharia molecular (mudar as estruturas atímicas da matéria, fazer aço maleável, regeneração de metais pra extinguir a famosa fadiga do material, etc…) dentro de uma abóboda que os protege das intempéries climáticas e sociais desse megaterritório de vida convulsiva conhecida como Favelost. Entre Rio e São Paulo a mais nova franquia social depois das revoluções inglesas, americanas e francesas, depois dos delírios de invenção de uma nova humanidade nazista ou socialista-soviética, depois de todos os absolutismos e anarquias, uma nova franquia de festa humana, de batalha por afirmação social, acontece na cidade Terra ( não se usa mais a palavra planeta pra designar essa kitchnete em que se transformou a terceira bola em torno do forno solar).
São as Favelosts. Apelido dado ao maior fenímeno urbano de todos os tempos, grandes aglomerações de habitação e ocupação confusa entre as megacidades (superguetos de capitalismo exacerbado na cidade terra). Entre Rio e São Paulo surgiu a primeira Favelost. Enquanto se discutia, a partir de balburdias sindicalistas na França, o declínio do estado-de-bem-estar social em eterna briga com o modelo anglo-saxínico de deixa-solto-o-mercado-não-atrapalha muito estado-se-produz-se-tem-emprego-tem-competição então tá valendo. Enquanto se discutia o sexo dos anjos, ou seja, como podemos ter um mundo mais justo? Algo impossível, pois, me desculpem os utópicos da igualdade primordial, mas uma boa desigualdade é fundamental pra incrementar a cenourinha de estímulo-chicote-esperança na gincana social. Enquanto se discutia os problemas das vias liberais ou neoliberais, sociais-democratas ou os purgatórios dos estados falidos ou cambaleantes pelas ífricas, ísia, Américas Latinas, uma outra via aparecia a via Dutra. Rio Paulo de Janeiro São. Favelost. A verdade é que o que estava sendo, desde sempre, tratado como submundo, clandestinidade ocultas pelas jurisdições dos assim chamados países, o dark side de todos os negócios finalmente encontrou seu habitat a céu explícito. Favelost. Não é uma favela de periferia standard, nada disso, muito além disso. Superaduana aduladora de todos os comércios movediços, de todas as experimentações humanas, de todos os projetos tecnológicos paralelos. Babilínia dos apocalipses festivos, assassinos e produtivos. Sempre existiram territórios desse tipo, mas muito bem protegidos por esquemas de fronteira ou localização difícil. Escoadouros de capital, de serviços de bens de capital informatizado, etc…Mas a partir do momento em que se instaurou o novo paradigma do que seria o tipo de humano necessário para as novas dinâmicas do capitalismo (esse sensacional e imbatível playboy), ou seja, mentalidade de curto prazo, aperfeiçoamento constante do seu ofício ou mudança de profissão constante, e a recusa de criar raízes ( Ter a famosa história de vida contada numa narrativa linear da especialização e realização numa profissão, num núcleo familiar e numa razoável rede de amizades fé, de clube, de passatempos esportivos, de bar, de núcleos de convívio…)com todas essa exigências como poderíamos apelidar o novo homem senão de homo informalis. O homem informal. Daí que os departamentos do consumo terrestre, (consumo, bilionário consumo classe média, consumo bandidagem, consumos dos remediados, consumo dos pobres e dos superpobres até o microconsumo dos profundamente possuídos pessoal que vive no fundo do poço da vala invisível, intocável, social) vão se provocar, vão se confrontar cada vez mais, necessitando de lugares de negociação solta, faroeste barroco em termos de confusão humana. E o Brasil, quer dizer, Rio Paulo de Janeiro São, saiu na frente pelas características bagunçadas do país desde muito informalismo, instabilidade, capitanias hereditárias sugando grana pública, falta de noção civil, falta de educação gerando orgulhos de jeitinho e mentalidades do tipo não estudou mas é intuitivo ” é- bom- selvagem, não estudou mas é intuitivo ” criativo é puro. Tem essência do povo driblador dessa cultura almofadinha importada não sei de onde e outras asneiras paralisantes que nos fizeram perder, como diria o historiador funk, o bonde da franquia democrática, moderna industrial, capitalista pra valer. Homo informalis é com a gente mesmo. Favelost também é o nome de um projeto de arregimentação de gênios!
Indomáveis, de garotas dane-se, de marrentos neuroyeah, indivíduos foda-se, sociopatas brilhantes. Rapaziada qualificada mentalmente, mas com sinapses de conexão gregária, resposta emocional ao convívio humano, totalmente zerada. Favelost é um supermago de pesquisas. Entre Rio e São Paulo, na Via Dutra. Todo tipo de indústria, todo tipo de serviço. Os negócios chegaram a um tal ponto labiríntico em termos de administração e distribuição de atendimento aos consumidores mais variados que não rola mais terceirização. À de quarterização pra baixo, milhares de quarteirões dominados por empresas oficiais e não oficiais. Subterrâneos completamente habitados por escavações de novos minérios energéticos, serras peladas de novo teor atraindo todo tipo de gente. A instalação do sol de baixo, uma tremenda bola de luz que não deixa o subterrâneo ter noite é a grande novidade dos estudiosos solares que vivem embaixo do Favelost ao lado da serra pelada de novo teor. Projetos científicos, franquia social, pororoca de castas consumidoras, quintal de próteses. Favelost. Muita máquina, geringonça, traquitanas, gadgets. Extensões, nanocréus, tomadas cranianas, lixões digitais, muita máquina, ferramentas, instrumentos, implantes, cateterismos de beco. Em favelost não tem rua, nem avenida.”
Artigos Relacionados
3 respostas
Sem comentário…. sou mais um alucinado pelos textos “Fawcwtianos” Fausto na minha opinião é um tipo de pirado que consegue enxergar o futuro de uma maneira que ninguém mais consegue… Ele é o cara…. sou suspeito a comentar qualquer texto do Fausto….
Eu quero passar férias na praia do Calibre! Esse txr eh demais… eu ia lendo e podia ver as hordas de orga/meca-soldados-mutilados-equipados degladiando… kool… amo FF !
ola
estamos atrás de um conto do fausto, e vi que vc postou este acima,
o conto nos disseram eram sobre um moto(velho)boy
estamos preparando uma coletanea de contos e gostariamos de convidar pra particiapar
se achar (o motovelho) nos mandem
abraço
Deixe seu comentário