Não, não precisa responder ainda. Você deve estar pensando que isso é uma cantada, que é só mais uma cantada no meio das tantas que você sem a menor sombra de dúvida já recebe todo dia. Ou talvez não seja nada disso, e esse seu ar de distraída (sim, esse seu ar que poderia quase ser tomado por uma atitude blasé, um distanciamento alheio e superior, só pra tirar onda com pose de classuda, não fosse pelo fato de fazer isso de forma autêntica, simples, singela até) talvez seja apenas exatamente por isso: porque você estava genuinamente distraída.
Me diz, por favor, eu preciso tanto saber! No que é que você pensava enquanto eu pensava em você, subitamente me vendo sem ar e sem rumo enquanto o centro do meu universo se deslocava numa velocidade vertiginosa correndo em sua direção? Quem ocupava o seu pensamento pra te fazer olhar pro lado sem olhar pra nada, sem me ver te olhando tanto? Será que você pensava no preço do feijão, ou no aniversário da melhor amiga? Em um amor do passado, ou no registro do gás que não consegue mais ter certeza se deixou fechado, por mais que se esforce? Na comida dos cachorros ou no amor, no sentido da vida e na solução dos problemas do mundo?
Ou talvez pense em alguém, querendo que ele pense em você. Não um amor do passado, mas alguém ausente que está presente no seu coração. Um rival que, mesmo meramente hipotético, já é minha nêmesis mortal, jurada de morte. Eu já me sentindo traído e você tão distraída…
Distraída e não me notou, eu que agora tudo o que eu quero é só que você me note, me dando a deixa pra hora em que eu vou chegar até você e me apresentar: “Oi, tudo bem? Você ainda não me conhece… Prazer, eu sou o novo amor da sua vida! Casa comigo? Eu te amo. Quem é você?”
Mas agora o sinal abre e você continua seu caminho, retoma sua história do ponto de onde ela quase esbarrou na minha. Você segue de novo seu rumo, e eu vou seguir sem respostas, sem saber quem é você e duvidando de quem sou eu.
Eu, que não acreditava em amor à primeira vista até ontem, até há cinco minutos atrás, até o exato momento em que os meus olhos primeiro encontraram o seu olhar. Eu, que nunca mais vou esquecer esse momento. Pelo menos, até a próxima esquina, até ser de novo pego desprevenido, até a próxima troca de olhares.
Eu, que prometo e juro te amar pra sempre. Que nunca mais vou te esquecer…
Até que a memória nos separe.
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1 resposta
simples como as coisas genuinamente belas devem ser
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