Sentado na pedra, ouvia o som das folhas que caíam das árvores e as via misturando-se ao vento em movimento espiral, descendo lentamente até tocarem o chão, tornando assim o ar visível. De quando em vez, desviava o olhar e tentava penetrar com os olhos além da entrada da gruta, buscando encontrar algo que sabia não mais estar ali. Permanecia nessa dicotomia do olhar, do alvorecer até o lusco-fusco. Hora ou outra mastigava as raízes que colhera e bebia a água da nascente, recolhida na parte mais escondida do vale. Dessa forma manteve-se por dois dias, reencontrando e deixando suscitar as lembranças de sua vida que pensou que estivessem perdidas.
Lembrou-se de quando se perdeu, ainda menino, aos 9 anos de idade pela primeira vez pelo Vale. Era uma lembrança não muito agradável, aterrorizante até, pois trazia à superfície da pele arrepios de todo o medo que foi sentido e que ainda podia sentir sem o mínimo deleite.
Trouxe à memória o dia em que havia encontrado a gruta. Estava chovendo muito.
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