
E ele caminhava pela rua calada e lúgubre, estava sozinho, parte de sua vida morria, e se parte da vida morre, o que resta não é toda vida. Finda morte, finda!
Ele caminhava pela rua, e a cada passo se distanciava, e consequentemente se aproximava, um único movimento que significava tanto. E o vento? Quanto vento. Uma rajada forte o fazia se curvar, reverenciar o vento, naquele momento com tanto significado. E se ficasse ali parado, o instante pararia? Não, nem persiste nem pode ser reproduzido, nem na memória, que perde uma palavra, perde um sorriso, um movimento, que perde um olhar. Não conseguiria agarrar o momento, prende-lo, aprisioná-lo, por entre seus dedos escaparia o instante, se perderia, e o vento com tanto significado voltaria a ser simplesmente vento. Finda vento, finda!
Doze horas, horas cinzas e ele caminhava pela rua, calada, lúgubre, pálida, sequaz tristeza. A luz das doze horas castigava seu corpo, e enchia de vida as ruas, o tumulto, a pressa, as cores, as flores de plástico. E o sol? Quanto sol. Certo e claro sob sua cabeça, como se algo pudesse ser certo e claro sob sua cabeça. O instante lhe fugiu, lhe escapou seco e rápido, porém seus rastros são suficientemente fortes para fazer crer que não foi sonho, que não era loucura ou alucinação provocada pelo sol e sua luz inexorável. E o que haveria de fazer?
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